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1990 | Metalúrgicos do ABC

Greve dos Golas Vermelhas
CONTEXTO
Essa mobilização fez parte de uma inovação na estratégia de luta entre os metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, que consistia na paralisação de setores vitais na cadeia produtiva, no caso ferramentaria e manutenção, que por sua vez comprometeria o conjunto da fábrica por falta de peças. O objetivo era pressionar a empresa a negociar um índice de reajuste salarial superior aos 11,42% definidos pela Fiesp.
No dia 11 de junho, os 900 trabalhadores da ferramentaria e manutenção da Ford iniciam um dos movimentos grevistas mais importantes na história do sindicalismo brasileiro, que ficou conhecido como a greve dos “golas vermelhas” em referência à cor dos colarinhos do uniforme dos grevistas.
Sem abrir a possibilidade de diálogo, a empresa promove, no 12º dia da greve, 100 demissões por justa causa, o que detona o protesto dos operários que ocupam a fábrica. Continuando a escalada repressiva, três dias depois, são afastados 6 membros da Comissão de Fábrica, 3 membros da Cipa e 1 diretor do sindicato. Os grevistas, por sua vez, manifestam repúdio apresentando suas carteiras de identificação e colocando-se todos à disposição da empresa para demissão, que não foi aceita.
A reivindicação de caráter econômico ganha outra dimensão de importância, pois agora soma-se a exigência da reversão das demissões e a reintegração dos representantes da Comissão de Fábrica, da Cipa e do Sindicato, que implica direitos adquiridos de organização e representação conquistados em anos de luta.
Apesar do conjunto da categoria aprovar o acordo proposto pela Fiesp em assembléia no dia 29/06, os trabalhadores da Ford rejeitam a proposta e prosseguem com a greve.
O movimento se fortalece no interior da categoria e ganha repercussão nacional, pois colocou algumas questões em xeque: a medida 193, que determina que, apenas na primeira data-base posterior a junho, os salários de cada categoria profissional seriam convertidos segundo a média real verificada no ano imediatamente anterior; o confisco de 84,32% que foi excluído dos reajustes salariais, referente ao IPC de março, ambas promulgações efetivadas no Governo Collor; e, sobretudo, o direito de organização sindical em função das demissões e dos afastamentos promovidos pela empresa.
A solidariedade alicerça o movimento, os operários das outras seções contribuem financeiramente com 10 horas de trabalho, visando ao suprimento dos grevistas. Nas outras fábricas, a simpatia pela luta travada pelos operários da Ford também transforma-se em contribuições.
A empresa procura se utilizar de diferentes formas de intimidação, publicando nos jornais anúncios de recrutamento de pessoal para os setores paralisados e, no dia 20/07 (quase 40 dias de greve), tenta jogar uns contra os outros ao não efetuar o vale aos 6.500 operários que não estavam em greve, imputando a responsabilidade à greve. Os trabalhadores reagem, voltando-se contra o patrimônio da empresa, destruindo alguns de seus veículos.
Em assembléia no mesmo dia, a continuidade da greve é reafirmada, ao mesmo tempo em que cresce a solidariedade envolvendo até mesmo outras categorias que enviam mensagens de apoio.
Os protestos contra a falta de pagamento continuam, e no dia 26/07 a Ford aciona a polícia militar, que ocupa a empresa gerando, ainda, maior revolta dos operários. A empresa senta-se, então à mesa de negociação com a comissão de fábrica e representantes do Sindicato para tentar um acordo e propõe:
- readmissão de 80 e outros 20 restantes demissão por voluntariado com o pagamento dos direitos;
- reintegração dos membros da Comissão de Fábrica e Cipa;
- antecipação salarial de 15% a partir de agosto, além dos 59,11% assegurados sobre os salários de junho;
- um empréstimo a ser descontado em 3 parcelas, correspondente aos dias parados não incidindo sobre as férias, DSRs e 13 º salário, a ser descontado em três parcelas;
- e afastamento dos diretores Bagaço e Zé Preto, porém com a manutenção de seus pagamentos.
No entanto, a revolta gerada pela intransigência da empresa que contou com o auxílio da repressão policial, além do boicote ao pagamento dos operários, acabou por estimular a continuidade do movimento até o dia 30/07, quando em nova assembléia se reavalia a proposta da empresa. Tendo em vista o atendimento parcial das reivindicações, aprova-se o acordo, no qual agregou-se a extensão dos 15% de antecipação a todos os trabalhadores da Autolatina e o imediato pagamento do vale aos trabalhadores que não estavam em greve, findando 50 dias de resistência e exemplo para todos os trabalhadores.
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IMPRENSA SINDICAL

VÍDEOS
Greve dos Golas Vermelhas
1990
DEPOIMENTOS
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João Ferreira Passos, Bagaço

Tsukassa Isawa
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