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1991 | Movimento Sindical

IV Congresso Nacional da CUT - Concut
CONTEXTO

As políticas neoliberais avançam por todo o mundo. Agora, não somente sobre os países centrais e os da periferia capitalista, mas também sob o Leste Europeu após o desmoronamento da União Soviética e do “socialismo real”. Na América do Sul, iniciam-se as conversações sobre o Mercosul, que a CUT considerava pautado pelo receituário neoliberal.

O Brasil, em plena crise, mexe na Constituição, enquanto o MST define como sua principal bandeira “ocupar, resistir e produzir”. Nas cidades, a campanha salarial nacional unificada ainda não surte efeito esperado, prevalecem negociações por categoria e os servidores não conseguem sair da defensiva. Collor de Mello está decidido a minar as bases de sustentação da CUT e alçar o “sindicalismo de resultados” como alternativa. Numa transação até hoje mal explicada, a recém fundada Força Sindical, inicia a construção de um suntuoso prédio, em São Paulo, com recursos da Caixa Econômica Federal.

A CUT, que havia acumulado uma dimensão organizativa nada desprezível e conquistado presença no cenário nacional, chega fragilizada ao 4º CONCUT. Está bombardeada pelas investidas do governo, acossada pela Força Sindical e submetida a um clima de crescentes divergências internas. A principal é a acusação das tendências minoritárias ao campo majoritário de ter cedido a um “convite” do governo Collor em favor de um pacto ou entendimento nacional.

A contestação é imediata, ao mesmo tempo em que o governo lança o Plano Collor II, a Central responde com paralisações generalizadas nos dias 22 e 23 de maio. A imprensa aponta fracasso total, mas a CUT, naquelas circunstâncias vê na greve um marco importante. O clima interno torna-se insuportável.

O Congresso acontece nos dias 4 a 8 de setembro, com a participação de 1.554 de 1.679 entidades filiadas e quarenta e três delegações internacionais delegados (o menor em termos de presença, mas o maior em termos de representação).

A exemplo do anterior, esse congresso dá novos contornos à CUT. É nesse congresso que se iniciam as conversações sobre a filiação internacional da CUT (efetivada um ano depois) e a sua forma de atuação. Define também organizar uma ampla mobilização de massa contra a recessão, combater o desmonte e a privatização do Estado, lutar pela implantação do contrato coletivo nacionalmente articulado e, na área social, convocar uma conferência sindical junto com os movimentos sociais para discutir, paralelamente, o conteúdo da ECO/92 que seria realizada no Rio de Janeiro.

Por outro lado, o 4º CONCUT também decidiu organizar os trabalhadores rurais cutistas na CONTAG para defender o plano de lutas aprovado no 1º Congresso do DNTR realizado um ano antes.

Foi aprovada também a criação da Secretaria de Organização. É um congresso acirrado, com polêmicas sobre o balanço político da Central, a análise de conjuntura e as alterações estatutárias. As tendências minoritárias acusaram o setor majoritário de estar burocratizando a central, afastando-a dos princípios que nortearam seu surgimento. É o congresso em que os principais setores da esquerda, que preferiram não participar do congresso de fundação da CUT, fazem uma reavaliação e ingressam na Central.

As votações, muito apertadas, polarizavam-se entre as duas chapas inscritas para o comando da CUT. A chapa encabeçada por Jair Meneguelli recebe 52,16% dos votos e a encabeçada por Durval de Carvalho, 47,84%.

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REPERCUSSÃO NA MÍDIA
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IMAGENS
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IMPRENSA SINDICAL
DEPOIMENTOS
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João Vaccari Neto

Jair Antonio Meneguelli

Gilmar Carneiro

Osvaldo Martines Bargas
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