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1985 | Movimento Sindical

Greve dos canavieiros em Guariba/SP
CONTEXTO
Guariba, cidade do interior do Estado de São Paulo, distante 365 Km a noroeste da capital, viveu momentos de terror, após a deflagração da greve dos canavieiros, no dia 4 de janeiro de 1985. De um lado, o peso econômico e político das 37 usinas de açúcar e álcool, responsáveis pelo aquecimento da economia crescente da Região de Ribeirão Preto e a Polícia Militar e do outro, aproximadamente 6 mil bóias-frias, mobilizados em torno de melhores condições de vida e trabalho.

Os canavieiros de Guariba não tinham nenhuma experiência organizativa, muito menos um sindicato que pudesse lutar por seus interesses. O sindicato mais próximo era, na época, o peleguíssimo STR de Jaboticabal, que aglutinava todos os trabalhadores de Guariba em sua base de representação. Naquele tempo, a liderança que despontava era José de Fátima, lamentavelmente cooptado pela direita anos mais tarde. Fátima tentava legalizar um sindicato local que já sofria a interferência dos usineiros e do STR de Jaboticabal. Durante esse embate e as tentativas de mobilização contra o perverso sistema de corte da cana em que era exigido tudo do bóia-fria sem que lhe fosse concedido um mínimo necessário para sua sobrevivência, 13 dos 16 diretores do recém criado STR de Guariba foram demitidos pelos usineiros.

Além disso, o desemprego na entressafra era inevitável e representava um assombro para os trabalhadores. Na pauta de reivindicações do STR, a readmissão dos dirigentes sindicais, a manutenção do emprego na entressafra e o pagamento de 70,8% de diferenças salariais. Diante da intransigência dos usineiros, os canavieiros entram em greve.

A greve atinge municípios vizinhos. As negociações foram ríspidas, até que o Sindicato de Guariba e o empresário João Di Laurentis, representante dos usineiros, chegassem a um acordo: os canavieiros seriam cadastrados para trabalharem, durante a entressafra da cana, na colheita do amendoim, receberiam Cr$ 300 mil como salário-desemprego e todos os demitidos seriam reintegrados ao trabalho. A greve termina, mas no dia seguinte, os usineiros rompem o acordo, forçando os canavieiros a retomarem a greve, desta vez com piquetes nas seis saídas de Guariba. A PM é chamada a intervir e o pacato município de pouco mais de 25 mil habitantes vira uma praça de guerra. Conclusão: muitas bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral são detonadas, casas são invadidas, muitos feridos por ação dos cassetetes (inclusive o secretário geral da CUT Estadual São Paulo) e, infelizmente, um canavieiro morto.

Em nota de protesto publicada em todos os jornais, o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo repudiou a ação da PM. Cansados, feridos e isolados pela liderança pelega da Fetaesp que acabou negociando um acordo desfavorável, os canavieiros encerram a greve no dia seguinte.
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