até
1975 | Conjuntura Brasileira

Jornalista Wladimir Herzog é assassinado no DOI-CODI
CONTEXTO

A vitória do MDB nas eleições de 1974, e que o SNI atribuíra ao espaço que o regime concedera à oposição na propaganda eleitoral televisiva, faz com que a linha dura do regime conteste os planos de distensão encabeçados por Geisel e Golbery. Intensificam-se as prisões, as torturas, os desaparecimentos. Pronunciamentos contra a abertura tornam-se freqüentes entre chefes militares.

Mesmo com a guerrilha eliminada, a linha dura prossegue com a "guerra interna" e confronta o comando do regime. A luta se dá internamente, apesar das denúncias de arbitrariedades de todo tipo, até que a prisão e o assassinato do jornalista Wladimir Herzog, em outubro, tornassem a questão pública e exigissem de Geisel posicionamentos claros, acuando o próprio regime.

Diretor de jornalismo da TV Cultura de SP, Herzog, suspeito de ter ligações com o Partido Comunista do Brasil (PCB), é chamado a depor no Doi-Codi - Destacamento de Operações e Informações e Centro de Operações de Defesa Interna, ligado ao II Exército. Não é militante, não tem identidade clandestina, é conhecido e prestigiado, atende voluntariamente à convocação da autoridade e não sai vivo das dependências policiais: morre sob a guarda da autoridade. Divulga-se a versão do suicídio, com laudos fraudados.

A comoção e a rebeldia pública são grandes. D. Paulo Evaristo Arns, cardeal de São Paulo, promove ato ecumênico na Praça da Sé com milhares de presentes, apesar de o Secretário de Segurança de São Paulo, coronel Erasmo Dias - militar ligado à linha dura - ter bloqueado o trânsito. A imprensa e os partidos protestam. A OAB e outras entidades se manifestam em revolta e há repercussão internacional.

Um dos aspectos importantes do episódio é o envolvimento da Igreja Católica com a resistência ao regime militar, embora com divisões. O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, D. Eugênio Sales, da ala conservadora, impede que se realize ato religioso promovido pela Associação Brasileira de Imprensa pela alma de Herzog.

O fato é que Geisel, desafiado dentro do próprio regime e confrontado pela oposição política e pela sociedade civil, teria que agir. Meses depois, em janeiro de 1976, com outra morte ocorrida no Doi-Codi, a do operário Manuel Fiel Filho, ele o faria, cerceando a ação ostensiva da linha dura.

Imprimir contexto
REPERCUSSÃO NA MÍDIA
Clique nas imagens para ampliar
IMPRENSA SINDICAL
DEPOIMENTOS
Clique nas fotos para ler os depoimentos:

David de Moraes

Osvaldo Cavignato
ELEIÇÕES
Reveja os detalhes da eleição de 1975
MANDATOS
Conheça diretores e cargos entre 1972 e 1975.
© Copyright 2009, ABC de Luta! Memória dos Metalúrgicos do ABC - Todos os direitos reservados

Mapa do Site Fale Conosco Créditos Política de Privacidade

smabc.org.br