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1994 | Conjuntura Brasileira

Plano Real alavanca eleição de FHC
CONTEXTO
Fernando Henrique Cardoso assumira o Ministério da Fazenda em maio de 1993, depois de Itamar ter nomeado e demitido três ministros para esse posto desde que tomara posse interinamente, em setembro de 1992. O primeiro fora Gustavo Krause, depois Paulo Haddad, e em seguida Eliseu Resende, acusado de corrupção.

A inflação alta e os desencontros dentro da equipe de governo desgastavam muito o presidente Itamar. Analistas políticos já temiam pela continuidade de seu mandato. A nomeação de Fernando Henrique Cardoso funcionara como uma injeção de organização e de otimismo.

FHC montou uma equipe de técnicos de alto nível, manteve Itamar afastado das decisões econômicas, restabeleceu relações internacionais, articulou apoio interno com a mídia, os empresários e os principais partidos e elaborou e implantou o Plano Real, que irá lhe garantir, em 1994, a eleição para presidente da República.

O plano começara em dezembro de 1993, quando FHC anunciou medidas de contenção fiscal e a criação de um novo indexador, a URV - Unidade Real de Valor -, que entraria em vigor em março de 1994, para ser substituída em julho pelo Real, a nova moeda.

Em março, quando a inflação mensal é de mais de 40%, entra em vigor a URV, que passa a ser a unidade de valor de preços, contratos e salários. Ela varia diariamente seguindo a variação cambial, que acompanha a própria inflação. Trata-se, na prática, da indexação total da economia. Mais uma vez há a polêmica da forma de conversão: os salários sofrem perdas porque não estão no "pico" de seu valor real; e os preços ganham porque foram remarcados antecipadamente ao anúncio do plano.

A inflação em cruzeiros novos (moeda oficial) continua acima dos 40% ao mês, mas a que é medida em URV despenca para 2% em abril e para 1% em maio, mas sobe para quase 5% em junho, refletindo a corrida remarcatória dos empresários, temerosos frente à entrada em vigor do Real, que se dará em 1º de julho.

A nova moeda conquista rapidamente o apoio da população. FHC já é então candidato do PSDB a presidente. Saíra do cargo de ministro no final de março e conquistara o apoio do PFL e do PTB. Paulo Maluf, que também seria candidato, recua e lança Espiridião Amin.

Lula lidera todas as pesquisas de intenção de voto desde 1993. Mas o sucesso do Plano Real inverte o jogo na reta final. A inflação cai mês a mês (chegará a dezembro em torno de 1%) e a candidatura de FHC deslancha. Em abril, Lula tinha 34% nas pesquisas e FHC, 17%, vantagem que se amplia em maio, para 41% a 17%, respectivamente, o que daria ao petista vitória em primeiro turno. Em julho a vantagem se reduz (35% a 20%) e em agosto FHC vira e assume a liderança (32% a 28%). Em setembro essa dianteira aumenta (41% a 20%) e em outubro FHC vence em primeiro turno com 54,3% dos votos válidos. Lula tem 27%.

Os demais candidatos têm desempenho inexpressivo. Orestes Quércia (PMDB) e Leonel Brizola (PDT) conseguem menos de 5% dos votos válidos e ficam atrás de Enéas Carneiro (Prona), com 7%. Eis o resultado:

Total de votos válidos 63.305.971
Fernando Henrique Cardoso 34.362.726
Luiz Inácio Lula da Silva 17.116.579
Enéas Carneiro 4.671.474
Orestes Quércia 2.773.497
Leonel Brizola 2.015.843
Espiridião Amin 1.739.780
Carlos Gomes 387.815
Hernani Fontoura 238.257
Em branco 7.193.510
Nulos 7.444.608
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Paulo Vanucchi

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