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1988 | Conjuntura Brasileira

Exército invade a CSN, ocupada por grevistas, e mata três operários
CONTEXTO
Várias greves ocorrem ao longo do ano, com intensa atividade sindical. A situação econômica se agrava muito depressa, com elevação da inflação - e conseqüentes perdas salariais -, dificuldades nas negociações externas, elevação da dívida pública etc. Há paralisações numerosas e prolongadas, principalmente no setor público, em quase todos os Estados. Em outubro, 17 dos 22 ministérios ficam parados 26 dias por conta de uma greve de servidores. A principal reivindicação é de recuperação das perdas salariais advindas da alta inflação (cerca de 25% ao mês) e agravadas pela sistemática adotada com o Plano Bresser (junho de 1987).

No dia 9 de novembro, os cerca de 18 mil operários de duas grandes empresas de Volta Redonda (RJ), a CSN - Companhia Siderúrgica Nacional – e a FEM - Fábrica de Estruturas Metálicas -, entram em greve. Querem reposição salarial de 26,06% (percentual expurgado do cálculo oficial de inflação quando da adoção do Plano Bresser), mais 17,68% de URP (Unidade de Referência de Preços, média trimestral da inflação usada para corrigir salários) do mês de julho, e a implantação do turno de 6 horas. O insucesso das negociações tensiona o movimento: os trabalhadores acabam promovendo duas invasões às instalações da CSN.

O Exército, a mando do governo federal, acompanhado de um batalhão da Polícia Militar, invade a empresa. Ocorrem choques violentos e as tropas atiram nos grevistas, matando 3 deles e deixando outros 9 com ferimentos graves. Há grande comoção pública com o episódio. Lideranças oposicionistas criticam duramente a decisão do governo Sarney de autorizar a invasão. Candidatos ao pleito municipal de novembro próximo incorporam o tema a seus discursos. A mídia dá grande repercussão ao fato.

No dia 10 os operários que ocupavam a siderúrgica concordam em sair, mas a greve só termina no dia 23, com um acordo que evita a punição dos grevistas, readmite os demitidos em greves anteriores, prevê a adoção do turno de 6 horas dentro de 90 dias e estipula o pagamento de um abono salarial, da URP de julho e de um percentual de 8%.

O episódio mostra o grau de conflito que se está avolumando na vida sindical e política. A inflação (1.000% ao ano), o fim do crescimento econômico (-0,1% em 88) e a desmoralização rápida da Nova República (com enormes e seguidos escândalos de corrupção e de negociatas no mundo político e financeiro) insuflam a população, sobretudo a mais organizada, na busca de ao menos manter poder de compra em meio à crise. A invasão do Exército mostra ainda que um setor poderoso do governo, com apoio do próprio presidente da República - e talvez de parte expressiva da população conservadora -, não aceita com tranqüilidade o novo ambiente democrático. Mesmo o movimento sindical tira daí lições importantes para a atuação futura.

Em novembro o episódio influenciará algumas eleições, notadamente a de São Paulo, em que Luiza Erundina, do PT, cresce rapidamente nas pesquisas na reta final e se elege prefeita. A morte dos operários na CSN é tema inflamado de sua campanha.

No ano seguinte o monumento que se erguera em Volta Redonda, em homenagem aos operários mortos, é atacado por bombas e explode antes de ser inaugurado. Restos do inconformismo direitista com a crescente perda de poder.
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Jair Antonio Meneguelli
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