até
1985 | Conjuntura Brasileira

Tancredo Neves é eleito no Colégio Eleitoral
CONTEXTO
Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática (união do PMDB com a Frente Liberal, formada por dissidentes do PDS), é eleito na Colégio Eleitoral no dia 15 de janeiro de 1985, tendo como vice José Sarney. São 480 votos a favor (sendo 166 oriundos de deputados do PDS), contra 180 dados a Paulo Maluf, candidato do PDS, e 26 abstenções. O PT, contrário à eleição indireta e ao acordo feito com os governistas, opta pela abstenção e desliga do partido três deputados que votaram em Tancredo: José Eudes (RJ), Bete Mendes (SP) e Airton Soares (SP).

O presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, entregara a Tancredo, no início de janeiro, o documento "A Nova República", programa de governo do partido prevendo eleições diretas em todos os níveis, educação gratuita, congelamento de preços da cesta básica e dos transportes, renegociação da dívida externa, entre outros pontos. Eleito, Tancredo passa a representar a perspectiva de que todos os males do país começarão a ser sanados rapidamente, mudando as políticas e os objetivos dos governos militares.

Mas o acordo com o sistema fora muito amplo. O próprio vice-presidente eleito, José Sarney, é símbolo do poder que supostamente se está então derrotando. Começou sua carreira política na UDN, partido conservador e golpista no pré-64, foi governador e senador eleito pela Arena, cuja presidência ocupou até aderir a Tancredo Neves e tem relações firmes com os setores mais conservadores. Espera-se que seja um vice-presidente discreto, porque todos os louros são do PMDB e o centro das esperanças é Tancredo Neves.

Tancredo realiza, em janeiro e fevereiro, viagem internacional, sempre com o tema da dívida externa em pauta: Itália, Vaticano, França, Portugal, Espanha, Estados Unidos, México e Argentina. Seu prestígio só faz crescer. O sentimento de mudança é grande. Mas o anúncio do seu ministério, no dia 12 de março, é algo decepcionante. Vários expoentes da Arena estão presentes, como Antônio Carlos Magalhães no Ministério das Comunicações e Aureliano Chaves (vice-presidente do general Figueiredo) no Ministério de Minas e Energia.

No Ministério da Fazenda, de onde se esperam as maiores mudanças de política econômica, outra decepção: Francisco Dornelles, sobrinho de Tancredo, conservador politicamente e adepto da ortodoxia econômica. O PMDB não gosta, mas não tem espaço para protestar em função do apoio de que Tancredo desfruta na sociedade. Entre as importantes, o partido fica com as pastas da Agricultura (Pedro Simon), do Planejamento (João Sayad) e do Trabalho (Almir Pazzianotto).

Decepção maior, porém, se dá na véspera da posse. Doze horas antes da solenidade Tancredo Neves é internado no Hospital de Base, em Brasília, para sofrer uma cirurgia de diverticulite. Depois de algumas horas de polêmica sobre quem deveria tomar posse em seu lugar, se José Sarney ou Ulysses Guimarães (presidente da Câmara dos Deputados), Sarney é empossado interinamente pelo Congresso Nacional. Dias depois reúne o ministério para ler texto feito por Tancredo acerca da prioridade do controle das contas públicas e do combate à inflação.

Tancredo jamais tomará posse. Sofre nova cirurgia em Brasília no dia 20 e é transferido para São Paulo no dia seguinte, sendo submetido a nova operação no dia 26. Os médicos divulgam boletins em que tentam mostrar otimismo e chegam a realizar uma foto com Tancredo sentado, ainda no hospital de Brasília. São feitas mais quatro cirurgias em São Paulo e os médicos dizem que a primeira internação não se devera a diverticulite, mas sim a um tumor benigno. No dia 21 de abril ele morre.

Até o dia 24, quando é sepultado em São João Del Rey, onde o presidente eleito nascera 75 anos antes, o corpo de Tancredo Neves recebe homenagens de multidões de pessoas em São Paulo, em Brasília e em Belo Horizonte. O desencanto toma conta do país, que tanto apostara na mudança. No dia seguinte, sem festa e sem público, Sarney toma posse em definitivo.
Imprimir contexto
REPERCUSSÃO NA MÍDIA
Clique nas imagens para ampliar
IMPRENSA SINDICAL
DEPOIMENTOS
Clique nas fotos para ler os depoimentos:

Paulo Vanucchi
CAMPANHA SALARIAL
Veja o que aconteceu na Campanha Salarial em 1985
MANDATOS
Conheça diretores e cargos entre 1984 e 1987.
© Copyright 2009, ABC de Luta! Memória dos Metalúrgicos do ABC - Todos os direitos reservados

Mapa do Site Fale Conosco Créditos Política de Privacidade

smabc.org.br