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1984 | Conjuntura Brasileira

Diretas Já: campanha por eleições diretas
CONTEXTO
"Diretas Já": campanha por eleições diretas para presidente que mobiliza o país, mas não passa na Câmara dos Deputados

Os antecedentes da grande campanha em favor das eleições diretas para presidente são encontrados ainda em 1983. O PT decide priorizar essa bandeira e aceita se aliar aos outros partidos, tática que até então rejeitara. O PMDB, em abril de 1983, aprova a proposta de realizar uma campanha com esse objetivo e lança um manifesto pedindo eleição direta para presidente. Em junho o partido faz um comício em Goiânia com cerca de 10 mil pessoas. O PT organiza outro em São Paulo, em dezembro, com15 mil presentes.

Em janeiro de 1994 a campanha ganha corpo e apoios e mobiliza a população. Os governadores oposicionistas põem as máquinas estaduais a serviço dos comícios. Parte da mídia ajuda a empolgar a população - com a notável exceção da TV Globo, que omite as primeiras manifestações, mas depois tem que cobri-las, sendo vaiada pelo público quando chega para fazer as reportagens. Artistas e intelectuais se juntam aos políticos. Os partidos se acertam numa frente em favor da campanha. Dissidentes do regime apóiam, incluindo o vice-presidente da República, Aureliano Chaves.

A proposta concreta em questão é uma emenda constitucional do deputado Dante de Oliveira (PMDB-MT) que restabelece eleições diretas para presidente no mesmo ano de 1984. Sua votação ocorrerá em abril na Câmara dos Deputados. Em janeiro realiza-se um grande comício em Curitiba, com cerca de 60 mil pessoas, outro em Salvador, com 30 mil, em Olinda, com 20 mil e um comício gigante na Praça da Sé em São Paulo, com mais de 300 mil pessoas.

No mesmo mês, Paulo Maluf e Mario Andreazza lançam suas candidaturas pelo PDS a presidente da República pela via indireta do Colégio Eleitoral, marcado para janeiro de 1985. A Executiva do PDS emite nota oficial em que reafirma a legitimidade da eleição indireta e repele qualquer alteração no sistema. Mas dentro do partido forma-se uma dissidência chamada de grupo pró-diretas, que abriga parlamentares, prefeitos e governadores.

Em fevereiro, as passeatas e os comícios se multiplicam em quase todas as capitais e em várias outras cidades. O maior ocorre em Belo Horizonte, com 250 mil presentes. Slogans, bandeiras, camisas, bonés e todo tipo de material de propaganda pelas diretas se espalha pelo país. O amarelo vira a cor oficial da campanha e toma as ruas. Em março, o quadro se repete, e no Rio de Janeiro juntam-se mais de 300 mil pessoas. No começo de abril os comícios se avolumam ainda mais em muitas cidades. O ápice se dá no dia 10 na Candelária, no Rio, com 1 milhão de pessoas.

O governo trabalha para evitar a aprovação da emenda, a ser votada dia 25. Envia proposta de eleições diretas em 1988 - que será retirada depois da rejeição da emenda Dante de Oliveira - e decreta medidas de emergência no Distrito Federal no dia 18, entregando o comando das operações ao general Newton Cruz, da linha dura militar. Milhares de manifestantes se reúnem em Brasília para passeatas, "buzinaços" e "panelaços", que ocorrem também nas principais cidades na véspera da votação.

Mas os dois terços de que a emenda precisa para ser aprovada na Câmara não são obtidos. São 298 votos a favor (22 a menos do que o necessário), 65 contra, 3 abstenções e 112 ausências de deputados do PDS. Do partido governista, 55 votam pela aprovação.

Daí em diante o PMDB se define por disputar a eleição indireta com a candidatura de Tancredo Neves. Ocorrem várias dissidências do governo em favor do candidato oposicionista - reunidas no grupo denominado Frente Liberal - , incluindo o presidente do PDS, senador José Sarney, que virá a ser o vice de Tancredo. A Frente e o PMDB formalizam a coligação na Aliança Democrática. O PT segue fazendo comícios pelas eleições diretas, mas fica isolado do resto da oposição.

A campanha de Tancredo segue os moldes de uma eleição direta: comícios, passeatas, atos públicos etc. A população corresponde e lota os comícios. Aos poucos quase toda a mídia está a seu favor. Maluf, o candidato do governo, acusado de tentar comprar votos no Colégio Eleitoral, passa a encarnar a imagem de todo o mal que o país quer extirpar naquele momento.

Em janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral elege Tancredo Neves com 480 votos (166 oriundos do PDS), contra 180 de Paulo Maluf e 26 abstenções 5 delas do PT (contrário ao Colégio e à aliança com os governistas), que expulsa os deputados Airton Soares (SP), Bete Mendes (SP) e José Eudes (RJ) por terem votado em Tancredo, descumprindo orientação do partido. A oposição, em aliança com boa parte do regime anterior, e por via indireta, chega ao poder.
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