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1980 | Metalúrgicos do ABC

Metalúrgicos do ABC deflagram greve
CONTEXTO
No dia 1º de abril, depois de uma assembléia que reuniu 60 mil metalúrgicos no Estádio de Vila Euclides, começa a greve geral dos metalúrgicos da região do ABC a partir da zero hora. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) se considera incompetente para julgar e decide reajuste escalonado de acordo com a faixa salarial. Dom Cláudio Hummes, bispo da Diocese de Santo André, divulga nota oficial pedindo a colaboração de todas as paróquias para apoiar a greve, com a arrecadação de mantimentos.

No dia 14 de abril, o TRT decide pela ilegalidade da greve. O Sindicato lança boletim de orientação sobre a greve. No dia 17, o governo intervém nos Sindicatos dos Metalúrgicos de Santo André e São Bernardo e cassa suas diretorias.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) divulgava mensagens dizendo que os dias parados seriam descontados e que, depois da decisão do Tribunal, não haveria mais negociações. Dia 19: Lula e mais 14 líderes sindicais metalúrgicos de Santo André e São Bernardo são presos e encaminhados ao Dops (Departamento de Ordem Polícia e Social).

No dia 22, em assembléia na igreja matriz, os metalúrgicos decidem continuar a greve, posição mantida no dia 24, em assembléia que reuniu 40 mil metalúrgicos. Ainda no dia 22, os sindicalistas Rubens Teodoro Arruda e Nelson Campanholo são presos no final da tarde.

A direção da Volkswagen, na Anchieta, afirma no dia 29 de abril que a fábrica funciona e chama jornalistas que, no entanto, ficam confinados a uma sala fechada.

O 1º de Maio foi comemorado por mais de 150 mil pessoas. Apesar da proibição do governo, a programação da data contou com o apoio da Igreja, com celebração de uma missa na igreja matriz de São Bernardo. Aos poucos, os trabalhadores foram se concentrando na praça da Matriz, vindo dos locais mais distantes.

Diante do expressivo número de pessoas, os policiais evitam o confronto e permitem que elas sigam em passeata até o Estádio de Vila Euclides, com faixas, cantando músicas e gritando palavras de ordem. No Estádio, realizam um comovente ato público.

No dia 2 de maio, o Tribunal nega habeas-corpus para Lula e demais sindicalistas presos.

Dia 6: mulheres realizam passeata pelas ruas de São Bernardo exigindo a reabertura das negociações e a libertação dos sindicalistas presos. No dia seguinte, esses sindicalistas iniciam greve de fome, exigindo também a reabertura das negociações.

Após 41 dias de greve – no dia 11 de maio –, os trabalhadores, em assembléia-geral no interior da igreja matriz de São Bernardo, decidem pela volta ao trabalho. Nesse mesmo dia, o metalúrgico Osmar Mendonça, o Osmarzinho, do comando de mobilização, é preso ao discursar na assembléia. Sindicalistas presos suspendem a greve de fome atendendo a moção apresentada na assembléia.

Ainda no dia 11, é distribuído um boletim anunciando que, dia 12 de maio, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema completava 21 anos de existência, atingindo a plenitude de sua maioridade política.

Para dispor de condições de atuação, a diretoria se utiliza do Fundo de Greve, juridicamente legalizado com a denominação de Associação Beneficente e Cultural dos Trabalhadores de São Bernardo do Campo e Diadema, que passa a ser o centro para onde os trabalhadores convergem. Para que isso pudesse ocorrer, condições materiais mínimas foram estabelecidas e mantidas com contribuição financeira dos trabalhadores nas portas das fábricas e realização de promoções (shows, festas) ou venda de objetos publicitários dos metalúrgicos, como broches, bonés e camisetas.
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IMPRENSA SINDICAL
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Djalma de Souza Bom

Luiz Inácio Lula da Silva
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