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1977 | Metalúrgicos do ABC

Campanha pela reposição salarial dos 34,1%
CONTEXTO
Uma pequena nota de pé-de-página no jornal Gazeta Mercantil, em agosto de 1977, informa que a inflação verificada no Brasil em 1973, segundo relatório do Banco Mundial, teria sido de 23,5% e não de 15,4% como anunciou na época, o ministro da Fazenda Mário Henrique Simonsen. Em seguida, continua a nota da Gazeta Mercantil, o ministro teria reconhecido a distorção, chegando até a sugerir algumas medidas para corrigir a manipulação, mas o governo federal as ignoraria por completo.
Com a divulgação pela Gazeta Mercantil, o governo federal apressou-se em dar explicações, mas, de fato, não propôs nenhuma medida concreta. Ao contrário, dizia que “os erros de cálculos não atingiram os salários, porque os critérios dos reajustes não são os mesmos adotados para a verificação da inflação”. O DIEESE contestou o raciocínio e, por conta própria, refez os cálculos verificando que os metalúrgicos haviam perdido 34,1% do poder de compra dos salários. Químicos, bancários, jornalistas e têxteis também tiveram perdas semelhantes.
Os metalúrgicos de São Bernardo e Diadema iniciam campanha pela reposição das perdas, convocando duas assembléias em setembro, para discutir a situação. Na ocasião, o governo autoriza o setor da construção civil a corrigir seus preços, mas não os salários, o que mobiliza, ainda mais os metalúrgicos. As assembléias são as mais concorridas dos últimos dez anos. Mais de cinco mil trabalhadores comparecem. A diretoria dá início à campanha pela reposição dos 34,1%, aprovando, ao mesmo tempo, pedido de instalação de dissídio coletivo fora da campanha salarial, chamando os patrões para negociar a reposição, via Departamento Regional do Trabalho. Aprova, também, um abaixo-assinado entre a categoria, um documento à imprensa e a criação de grupos de fábrica para dar apoio à campanha. Salários iguais para funções iguais, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, garantia de emprego e possibilidade de greve também fizeram parte dos itens da campanha.
Em resposta, o Ministério do Trabalho proíbe o DRT de abrir as negociações, apesar de dizer que o “diálogo seria importante”. O sindicato vai atrás dos empresários, independentemente da autorização do ministério, mas pouco avançam as negociações. Foram contatadas 21 empresas. A Volks, a Ford e a Chrysler sequer responderam ao convite para o diálogo.
A campanha arrasta-se até dezembro, quando metalúrgicos norte-americanos, ao visitarem o Sindicato para trocar informações, afirmam que “nos EUA os trabalhadores não pedem nada, se impõem através da sua própria força”.
A luta pelos 34,1% mostrou aos metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, segundo análise da diretoria, que podiam se organizar e impor-se com “força própria”. Mas, ainda segundo as avaliações, seria preciso, principalmente, recuperar as liberdades sindicais e alterar a estrutura sindical oficial e paternalista.
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IMPRENSA SINDICAL
DEPOIMENTOS
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Augusto Cássio Portugal Gomes

Osvaldo Martines Bargas
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