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1979 | Movimento Sindical

Greve dos jornalistas de São Paulo
CONTEXTO

O último ano da década de 70 marcaria a movimentação da segunda (e talvez a mais polêmica) greve geral dos jornalistas de São Paulo. A primeira foi em 1961, quando houve até bloqueio dos caminhões que saíam com jornais feitos nas gráficas. Na esteira das mobilizações dos metalúrgicos do ABC, dos bancários de São Paulo e dos professores em todo o país, os jornalistas engajaram-se na luta.

Em fevereiro daquele ano, o Sindicato dos Jornalistas realizou um seminário para debater a criação de um partido dos trabalhadores no Brasil. Compareceram ao auditório do sindicato, Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, Luís Inácio da Silva (Lula), Jacó Bittar e Arnaldo Gonçalves, entre tantas outras personalidades. Todos concordaram com a idéia, exceto FHC e Covas.

Após um mês começam as discussões sobre a possibilidade de greve na categoria. O auditório do sindicato não comportava o número expressivo de jornalistas. As assembléias tiveram que ser realizadas na Igreja da Consolação e no TUCA, teatro da Pontifícia Universidade Católica (PUC). Os preparativos para a greve começaram em maio, apesar da data-base ser em dezembro.

Os jornalistas reivindicaram reajustes de 25% (sem desconto no fim do ano) e estabilidade no emprego para os representantes de comissões de redação. Para que não houvesse dúvida quanto à paralisação iminente, dois terços da assembléia deveriam votar a favor, caso contrário a greve não saía. As opiniões divergentes tinham consistência, não por princípio, mas pelo momento da greve: “Não estamos preparados. Sou contra esta greve porque tenho medo de ler notícia dela nos jornais” disse o já falecido Emir Macedo Nogueira, da Folha, que veio a se tornar presidente do Sindicato logo depois (vencendo Rui Falcão, da revista Isto é).

Mas, a assembléia pensava diferente e 90% votou a favor da paralisação.
No dia 28 de maio, o TRT julgou a greve ilegal e muitos jornalistas foram demitidos. Artistas doaram gravuras, pinturas, desenhos, fotos, entre outras obras, ao fundo de greve para serem vendidos e auxiliar os demitidos. Em dezembro, data-base da categoria, jornalistas conquistam o reajuste salarial e o fotógrafo obtém condições melhores de trabalho. Como disse, em 1981, Geraldo Mayrink, então repórter da revista Veja, “sim, penso que se perdeu alguma coisa na greve, mas ganhou-se também. Ganhou-se vergonha na cara, coisa que há muito tempo andava longe das redações...”.

A partir da greve de 79, a categoria cresceu em quantidade e em qualidade. Organizou-se, enfrentou as renovações tecnológicas e as demissões, organizou os assessores de imprensa e os jornalistas que não tinham vínculo empregatício.

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