até
1989 | Campanhas Salariais

CONTEXTO

Com a inflação elevada e os salários baixos, o Sindicato começa a esquentar a campanha salarial logo nos primeiros dias de janeiro, mantendo reunião com a Comissão de Mobilização, no dia 23. Cálculos preliminares do Dieese estimavam que, para recompor o poder de compra, seria preciso um reajuste de 59,5%. E com base nesse índice tinha início a campanha salarial.

O governo lança, em 16 de janeiro, um novo plano econômico, o Plano Verão – o terceiro do Governo José Sarney. Os salários, de acordo com o plano, teriam reajuste da URP em janeiro de 26,05%. O pacote também iria reajustar o salário em fevereiro pela média dos salários recebidos em janeiro e dezembro de 1988. Mas no caso dos metalúrgicos, não haveria reajuste depois da aplicação da URP de janeiro.

No dia 20 de janeiro é realizada assembléia para discussão e aprovação da pauta de reivindicações e formas de luta contra o Plano Verão e escolha dos delegados ao I Congresso Nacional do Departamento Metalúrgico da CUT.

O Sindicato definia a pauta de 1989: escala móvel, abono salarial, aumento real e reajuste salarial. A pauta também incluía luta pelo contrato coletivo de trabalho, construção de creches, participação nos lucros da empresa, mesmo salário para a mesma função e unificação estadual da data-base.

A novidade deste ano estava na formação de uma comissão permanente entre trabalhadores e empresários para discutir durante todo o ano as reivindicações da categoria.

A partir do dia 25 de janeiro o Sindicato intensifica a mobilização nas fábricas para garantir um bom acordo e a reposição das perdas salariais.

No dia 26, a diretoria do Sindicato entrega a pauta de reivindicações à Fiesp. A antecedência na entrega da pauta é para que os patrões discutam detalhadamente todas as questões.

Junto às negociações com a Fiesp, o Sindicato incrementava a mobilização. A idéia era fazer reuniões nas empresas e na sede do Sindicato. A campanha salarial de 89 se revestia de fundamental importância face ao pacote que trouxe perdas salariais.

No dia 2 de fevereiro começam as reuniões por empresa para discutir a campanha salarial e organização nas fábricas. Um vídeo estava sendo produzido para explicar as novidades da campanha.

No dia 1o de março a Comissão de Mobilização reunia-se mais uma vez para discutir os itens da campanha salarial. No dia 10, assembléia-geral tratou do mesmo assunto e da greve geral que estava sendo programada.

Dia 21, o Departamento dos Metalúrgicos da CUT reúne-se com o Grupo 19 da Fiesp para começar a negociar a pauta de reivindicações da categoria. As principais reivindicações eram reposição salarial de 84,18% e aumento real de 15%. Na primeira rodada de negociações, os empresários avisaram que não concordavam com o Contrato Coletivo de Trabalho, com as comissões permanentes de negociação e com a unificação da data-base.

Dia 6 de abril a Fiesp oferece 15% de reajuste sobre os salários de 31 de janeiro de 89, a título de antecipação, contra os 84,18% de reposição e 15% de aumento real reivindicados pelo Sindicato.

A greve é marcada para começar no dia 19. Diante disso, instaura-se o dissídio coletivo, julgado no dia 18 pelo TRT (Tribunal Regional do Trabalho) - 29% de reajuste, baseado no seguinte: 13,57% da reposição salarial determinada pelo governo, 9,90% da inflação oficial de fevereiro e março e 1,98% da Lei 7.737 (Medida Provisória). Descontados os aumentos espontâneos e 1,48% que o Congresso havia aprovado (medida provisória), restavam 27,12% de reajuste.

A greve começa no dia 19 e no dia 28 de abril (no 10º dia de greve), os empresários da Sinfavea (montadoras) e Sindipeças (autopeças) apresentaram proposta de 45% de reajuste sobre os salários de janeiro. Além disso, os empresários comprometem-se em abrir novas negociações em 1o de julho para avaliação de novo reajuste.

No dia 2 de maio, reunidos no Paço Municipal, na maior assembléia da categoria realizada desde 1980, os metalúrgicos rejeitam a proposta e marcam nova assembléia para o dia 5, também no Paço Municipal. Nesse dia, encerrada a assembléia, realizaram uma grande passeata até o largo de Piraporinha, onde, em frente à fábrica Arteb, houve um violento confronto entre a polícia e os trabalhadores. O episódio ficou conhecido como Batalha de Piraporinha.

Nas montadoras, a greve é encerrada no dia 10 de maio, mas algumas outras fábricas continuaram em greve, tentando acordo por empresa.

Nos dias 16 e 17 de junho, novas assembléias definiram a pauta de reivindicações, que incluía reposição salarial. As reivindicações aprovadas: reajustes entre 57,79 e 111,34% para recuperação do poder de compra.

Nas negociações entre cinco sindicatos patronais e o Departamento dos Metalúrgicos da CUT, chegou-se a uma proposta no dia 5 de julho, que foi aprovada pelos trabalhadores nas empresas dos sindicatos envolvidos. No dia seguinte, a Fiesp estendeu para toda a categoria o mesmo acordo, que previa:
1) pagamento da inflação de abril, maio e junho (47,27%) e reposição de 10%, descontada qualquer antecipação; 2) a título de reposição salarial, 4,1% em outubro e mais 4,1% em dezembro; 3) os salários de agosto e setembro seriam reajustados da seguinte forma: índice de 100% da inflação até o valor de três salários mínimos e 90% da inflação sobre o valor acima de três mínimos; 4) piso salarial em 1o de julho, variando de empresas com até 500 empregados, de 500 a 5 mil e com mais de 5 mil, com valores corrigidos mensalmente, de acordo com o índice que corrigir o salário mínimo; e 5) compromisso dos sindicatos patronais de promover nova negociação até o dia 10 de outubro para definir a política salarial dos meses seguintes.

Dia 27 de setembro, o Sindicato promovia assembléia-geral para definir as reivindicações que seriam levadas à Fiesp. Ficou acertada a apresentação de sete itens: 1) unificação da data-base de todos os metalúrgicos do Estado de São Paulo; 2) piso salarial de acordo com os cálculos do Dieese; 3) reajuste salarial de 53,68%; 4) reajuste mensal de 100% da inflação; 5) seguro contra a inflação; 6) mudanças nos dias do pagamento para os dias 15 e 30 de cada mês; e 7) aumento real de 20%.

No dia 28 de outubro de 1989, em assembléia, era aprovada a proposta salarial dos patrões, que estabelecia o seguinte:
1) Salário de outubro: 35,95%, correspondente a 100% do IPC (inflação); 4,5%, referente à 2a parcela do resíduo; 8,59% de recomposição salarial. Total: 53,75% a ser aplicado no salário de setembro.
2) Salário de novembro: 37,62%, referente ao IPC de outubro; 4,15% da 3a parcela do resíduo; 8% de reajuste emergencial (como chamavam os patrões) ou aumento real. Total: 54,80%.
3) Piso salarial: os pisos salariais foram enxugados em duas faixas. A primeira reunia empresas com até 700 empregados, com salário de NCz 614,86 em outubro e NCz 951,80 em novembro. E, a segunda, empresas com mais de 700 empregados, com salário de NCz 736.58 (outubro) e NCz 1.140,23 (novembro).
4) Próximos reajustes: nos meses de janeiro e março (1990), o reajuste salarial seria de 100% do IPC, para quem ganhava até 3 salários mínimos, e 90% do IPC na parte do salário que ultrapassasse essa faixa. O pagamento do resíduo seria no final do trimestre.
5) Dias de pagamento: a partir de novembro os pagamentos seriam efetuados até o dia 5 de cada mês, com pagamento de vale (adiantamento) no dia 20. O vale seria de 40% do salário bruto e não mais de 30%.
6) Unificação da data-base: a Fiesp propôs os meses de junho, julho ou agosto para unificação da data-base. A proposta seria, ainda, estudada pelos sindicatos.
7) Aumento real: a proposta da Fiesp era de 8% de aumento real, que seria calculado no salário de novembro. Na assembléia ficou decidido reivindicar um índice maior, que estava sendo negociado com o Grupo 19 da Fiesp.

Imprimir contexto
PAUTA DE REIVINDICAÇÃO

CONVENÇÃO E ACORDO

DIVULGAÇÃO
Clique nas imagens para ampliar
REPERCUSSÃO NA MÍDIA
Clique nas imagens para ampliar
IMAGENS
Clique nas imagens para ampliar
IMPRENSA SINDICAL

VÍDEOS
Milhares de trabalhadores fazem piquete em Piraporinha
1989
DEPOIMENTOS
Clique nas fotos para ler os depoimentos:

Tarcísio Secoli

José Lopez Feijóo

Luiz Marinho

Vicente Paulo da Silva

Paulo Tarciso Okamotto
MANDATOS
Conheça diretores e cargos entre 1987 e 1990.
© Copyright 2009, ABC de Luta! Memória dos Metalúrgicos do ABC - Todos os direitos reservados

Mapa do Site Fale Conosco Créditos Política de Privacidade

smabc.org.br