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Contexto | 1982

1982 é o ano da inauguração da maior hidrelétrica do mundo, Itaipu, e o ano em que o Brasil, maior devedor mundial, recorre ao FMI para renegociar com os credores e obter novos empréstimos. Na política, eleições municipais, estaduais e parlamentares movimentam o país.A legislação eleitoral é alterada para favorecer os candidatos governistas.

Uma lei que proíbe coligações e obriga o voto vinculado em candidatos do mesmo partido é aprovada em janeiro no Congresso, por decurso de prazo. Em maio, o conselho político do presidente Figueiredo chega a propor a implantação do voto distrital misto.
Uma emenda constitucional aumenta, em junho, o número dos deputados de Estados menos populosos e onde a influência do PDS é maior.
Enquanto isso, os efeitos da crise econômica continuam agitando o país. Operários de estaleiros de Niterói entram em greve contra demissões. Na metalúrgica Coferraz, em São Paulo, o atraso nos salários provoca quebra-quebra. Os canavieiros de Pernambuco entram em greve e flagelados da seca promovem saques no interior da Bahia.

Em função da recessão mundial, o Brasil deixa de exportar US$ 3 bilhões, se considerados os resultados do ano anterior. Uma redução adicional das importações, da ordem de US$ 2,6 bilhões ainda permite um pequeno superávit comercial, de US$ 500 milhões, metade do observado no ano anterior. Na reunião anual do FMI, em Toronto, fracassa a tentativa de ampliar os recursos disponíveis para empréstimos a países em crise.

Essa decisão, a frustração da meta de aumentar significativamente o superávit comercial obtido no ano anterior e a moratória do México, decretada em agosto, conspiram para afetar gravemente a credibilidade externa do país. Com a conseqüente falta de crédito no exterior, as dificuldades para fechar o balanço de pagamentos são cada vez maiores. Em setembro, uma portaria da Cacex proíbe a importação de qualquer bem de consumo que tenha similar nacional, em mais uma tentativa dramática de equilibrar a balança de pagamentos sem o recurso ao FMI, até que ocorram as eleições e se possam tomar medidas adicionais e impopulares.
O governo resolve reforçar as medidas de ajuste. O Conselho Monetário Nacional, em reunião extraordinária, aprova um conjunto de metas reunidas sob o título de “Programa para o Setor Externo em 1983”. Considerado uma sinalização para eventual acordo com o Fundo Monetário Internacional - um tema fora do debate público em função de previsíveis danos eleitorais ao partido do governo -, o documento previa um aumento de 10% nas exportações e uma queda de 17% nas importações, de forma a obter um saldo comercial de US$ 6 bilhões.
A campanha eleitoral inclui debates na televisão entre os candidatos a governador, até que eles sejam proibidos, em setembro. O horário eleitoral continua limitado pela Lei Falcão. O presidente Figueiredo percorre o país fazendo campanha pelo PDS e inaugura a hidrelétrica de Itaipu no início de novembro.

A adoção do voto vinculado faz com que o Partido Popular (PP) de Tancredo Neves se una ao PMDB e provoca o fenômeno do voto útil, direcionado para os candidatos dos partidos com maiores possibilidades de vitória. O PMDB vence as eleições em nove Estados, inclusive São Paulo e Minas Gerais. O PDS concentra suas vitórias no Norte e no Nordeste.
No Rio de Janeiro, a vitória de Leonel Brizola, do PDT, é confirmada um mês depois da votação, após ter sido descoberta e desmontada uma fraude na apuração que visava derrotá-lo.
No Congresso, o governo perde a maioria absoluta na Câmara dos Deputados. 36 ex-cassados pelo regime militar são eleitos e uma bancada sindicalista começa a se formar. Um índio é eleito pela primeira vez: o cacique xavante Mário Juruna, deputado pelo PDT do Rio de Janeiro. No Senado, onde ainda estão os senadores biônicos, a maioria do governo é clara.

Passadas as eleições, em 26 de novembro, o ministro da Fazenda, Ernane Galveas, anuncia, da Suíça, que o Brasil pretende se socorrer por meio de empréstimo junto ao FMI. Também vem a público o empréstimo de US$ 1,2 bilhão obtido do governo dos Estados Unidos, por 90 dias, para evitar que o não-pagamento das dívidas estourasse antes de 15 de novembro, data das eleições. Na verdade, no dia 22 de novembro já havia chegado ao Brasil a primeira missão do FMI e começara o monitoramento do Fundo à economia brasileira.
O governo começa a renegociar a dívida com os maiores bancos credores. Somente um novo empréstimo de emergência dos Estados Unidos permite fechar as contas do ano, mesmo assim com reservas negativas e sem recursos para pagar os vencimentos de janeiro. Em 29 de dezembro, o Banco Central comunica aos credores que só pagará os juros da dívida, e não mais o principal.

Como resultado dessas dificuldades, a economia cresce insignificantes 1,1% no ano, enquanto a indústria, em particular, permanece estagnada no nível bastante modesto observado na recessão de 81. A inflação chega a percentual ligeiramente superior ao do ano passado, atingindo 100%. Com efeito, a inflação mostra ter atingido um estágio em que mesmo políticas fortemente contracionistas não conseguem reduzir sua magnitude. Os anos da chamada estagflação parecem ter vindo para ficar, em substituição à marcha batida de crescimento observada nos cinqüenta anos anteriores.


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