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Contexto | 1980

Em 1980 a diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo intensifica a mobilização por meio de reuniões com os militantes e trabalho de porta de fábrica. O material de propaganda é inovado. O Suplemento da Tribuna Metalúrgica, criado durante a greve de 1979, com notícias nacionais e denúncias de chefias e problemas vividos pelos trabalhadores nas empresas, chega a atingir a tiragem diária de 40 mil exemplares, penetrando clandestinamente no interior das fábricas.

O Fundo de Greve se equipa e se estoca para enfrentar a greve. Os bairros são envolvidos na campanha e o apoio de entidades e instituições, como a Igreja Católica, foi um fator importante no processo de mobilização.

A campanha é aperfeiçoada. Criam-se a Comissão de Mobilização e um "grupo especial", incumbido de continuar coordenando o movimento na hipótese de prisão dos diretores.

O Sindicato lança cartazes, livretos e boletins, faz reuniões, tanto por profissão como por fábrica e marca presença diária nas portas das fábricas. Os trabalhadores decidem transformar o dia 1º de abril, conhecido como “dia da mentira”, no “dia da verdade” e iniciam a greve de madrugada. Essa greve durou 41 dias. Mais tarde, no Estádio de Vila Euclides, realizam assembléia, unindo as mãos, numa demonstração de força e solidariedade do movimento. Helicópteros do Exército, levando soldados armados com metralhadoras, sobrevoavam o estádio.

Os principais líderes sindicais, inclusive Lula, são presos. O governo militar intervém no Sindicato e proíbe a manifestação do 1º de Maio. Apesar disso, a programação da data teve início, com o apoio da Igreja e com a celebração de uma missa no interior da igreja matriz. Após o término da missa, mais de 150 mil pessoas seguiram em passeata até o Estádio de Vila Euclides, onde foi realizado um ato político.

No dia 11 de maio, o Sindicato lança um boletim intitulado "A guerra continua ..." que, em certo trecho, dizia: "Em pleno vigor de uma greve que já dura 40 dias, mais organizados do que nunca, fortes e conscientes, amanhã voltaremos às fábricas. Que os patrões e o governo saibam: atrás de cada máquina eles terão um trabalhador em guerra; voltamos apenas para evitar a repressão da polícia do governo, face a face e desarmados; a guerra continua porque em nosso coração e em nossa alma carregamos a ira dos justos e uma eterna sede de justiça."

Logo após o retorno da categoria ao trabalho, os dirigentes e ativistas sindicais foram soltos e recebidos com alegria em suas casas e pelos trabalhadores nas portas das fábricas.

Para encontrar uma situação legal de continuar atuando, o Fundo de Greve é juridicamente legalizado com a denominação de Associação Beneficente e Cultural dos Trabalhadores de São Bernardo do Campo e Diadema.
Em setembro, a Volks cria uma Comissão de Representantes dos Empregados para administrar as relações entre capital e trabalho do seu ponto de vista. A diretoria cassada coloca-se contra, e os trabalhadores votam no "João Ferrador".

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