até
Contexto | 1950

A ampliação do parque industrial ocorrida na década de 50 transformou rapidamente o ABC.

São Bernardo, tornado município, passou a ter uma base metalúrgica maior do que a de Santo André. Não havia mais sentido em um único sindicato abranger todo o ABC e surgiram propostas para desmembrar as bases de São Caetano e São Bernardo.

Por outro lado, interessava ao PCB a criação de novos sindicatos, o que lhe aumentaria o cacife eleitoral nas federações sindicais. Um grupo de ativistas se mobilizou para formar a Associação dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, o que, pela legislação, deveria preceder à formação de um sindicato.

Este processo de articulação para a fundação da Associação foi descrito por Lino Ezelino Caniel, seu primeiro presidente e sócio nº1 do futuro sindicato.

"Começamos a traçar idéias, eu, Anacleto Potomatti, Orissom Saraiva de Castro, Alcides Borsoi. Nos reunimos na casa do Alcides e traçamos os planos para desmembrar o sindicato, precisava formar a Associação".

Orissom S. de Castro também descreve o processo inicial de articulação em seu depoimento:

"Depois dessa reunião feita, nós chegamos ao consenso de fazer uma mobilização, procurar pessoas de outras empresas e então marcamos nova reunião, no Sindicato dos Marceneiros".

Publicou-se um edital na Última Hora nos dias 27, 28 e 29 de abril de 1959 e, no dia 12 de maio de 1959, fundou-se a Associação Profissional dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas e de Material Elétrico de São Bernardo do Campo e Diadema.

A reunião de fundação foi na sede do Sindicato dos Marceneiros de São Bernardo, na Rua Marechal Deodoro, 1330, e contou com a presença de 71 trabalhadores das indústrias Mercedes Bens, Volkswagen, Mercantil Suíça, Varan Motores, Multibrás, Carte, Volar, Sinca e Maras. A mesa, presidida por Lino Ezelino Carniel, contou com a presença de Miguel Guillen, vice-presidente de Sindicato de Santo André.

Foi eleita na assembléia uma diretoria com mandato de 2 anos, com Lino Ezelino Carniel como seu presidente.

A Consolidação da Associação exigiu um trabalho muito grande, marcado por inúmeras dificuldades:

"Fui escolhido para ser presidente e após algum tempo alugamos uma sede na Rua Santa Filomena, nº 373. Não havia rendimento nem dinheiro de espécie alguma a não ser a mensalidade que nós mesmos dávamos para pagar os 300 cruzeiros de aluguel da casa. O começo foi bastante difícil, com muita perseguição. Muitos foram dispensados, eu inclusive fui dispensado da Mercedes Bens. Alguns eram chamados para fazer hora extra, outros mudados de turno. Foi uma luta de sacrifícios, não foi fácil, e não aparecia muito porque eram poucos elementos... A Associação chegou a participar de uma greve na Mercedes na qual conquistamos um aumento de 10 ou 20 por cento, não me lembro". (Lino Ezelino Carniel)

A fundação da Associação foi a 12 de maio e a 28 de agosto a ata da diretoria registrou o encaminhamento do pedido de sua transformação em sindicato. Uma assembléia realizada a 26 de agosto elegera a primeira diretoria do Sindicato, tendo Anacleto Potomatti como presidente.

No ABC, como em todo o país, o início dos anos 60 foi marcado por grande avanço na luta sindical. O recém criado Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de São Bernardo do Campo e Diadema - passaria a ter um papel de destaque.


Acompanhe também nesta década:
Mandatos

» 1959 a 1963
© Copyright 2009, ABC de Luta! Memória dos Metalúrgicos do ABC - Todos os direitos reservados

Mapa do Site Fale Conosco Créditos Política de Privacidade

smabc.org.br